
Há momentos em que um país precisa menos de entusiasmo e mais de serenidade. A tomada de posse do socialista António José Seguro como novo presidente da República de Portugal foi um desses momentos — um convite à estabilidade num tempo em que tantas democracias vivem em permanente sobressalto.
O novo chefe de Estado português deixou uma ideia clara logo no início do seu mandato: a simples rejeição de um orçamento não pode transformar-se automaticamente numa crise política.
Democracias maduras vivem de negociação e compromisso. A política portuguesa precisa abandonar a lógica da emergência permanente e recuperar algo que se tornou raro no mundo contemporâneo — o tempo longo.
Talvez por isso uma das propostas mais interessantes do discurso tenha sido a referência a orçamentos plurianuais e avaliação de resultados. A ideia parece técnica, mas revela uma visão de país. Governar é decidir hoje com impacto que ultrapassa o ciclo eleitoral.






