
Num campeonato desnivelado como o português, são poucas as oportunidades que os perseguidores têm para roubar pontos a quem vai à frente. Não aproveitou o Benfica na receção ao FC Porto e tudo ficou na mesma nesta jornada, ao que se deve acrescentar o empate no SC Braga-Sporting (incrível a quantidade de vezes que os quatro primeiros se defrontam na mesma ronda, ano para ano
O desfecho do clássico é daqueles que pode dividir opiniões em ambos os lados: há aspetos positivos e negativos a destacar em cada equipa, ainda que por motivos óbvios de calendário e tabela classificativa o dragão é aquele que leva mais motivos para sorrir. Afinal, mantém uma confortável vantagem de quatro e sete pontos sobre Sporting e Benfica, respetivamente.
Do ponto de vista do espetáculo, foi melhor que o encontro da primeira volta, mas também porque houve mais erros. Do lado do Benfica, cuja primeira parte colocou a nu as fragilidades da dupla de médios Enzo Barrenechea/Richard Ríos, dois jogadores que não casam bem desde que chegaram e cujos defeitos são mais expostos quando defrontam um adversário de elevado valor.
Fosse José Mourinho apenas um analista ou consultor externo do Benfica, a sua leitura no final da partida deveria ser encarada como um brilhante exercício de lucidez, mas tratando-se do treinador da equipa analisada o caso muda de figura e entra já no plano político: ao lembrar que Aursnes é o único que lhe pode dar a música que pretende (leia-se, um médio capaz de assumir o jogo e controlar os ritmos sem perder a bola), o setubalense apontou para um problema estrutural relacionado com a construção do plantel.






