
André Villas-Boas partiu para o ataque e, em simultâneo, fez a defesa do FC Porto no final de um mês de fevereiro em que, segundo o presidente dos dragões, a identidade azul e branca «teve de falar mais alto do que o ruído com que tentam condicionar o FC Porto na luta pelos seus objetivos.»
No texto que assina na mais recente edição da revista Dragões, o líder portista disparou em várias direções, nomeadamente na de comentadores e de opiniões desprovidas de «rigor e da deontologia que devem orientar quem informa, interpreta e comenta o fenómeno desportivo».
«Fora do campo, o FC Porto continua a ter de travar, diariamente, um combate contra uma sucessão de insinuações e narrativas fabricadas, que tantas vezes se afastam da isenção, do rigor e da deontologia que devem orientar quem informa, interpreta e comenta o fenómeno desportivo. Frases como: ‘Aquela reação do Francisco Moura quando viu que era pénalti vale…’; ‘Se calhar Francisco Moura também quer ser apanha-bolas’; ‘O FC Porto parece, para aí, uma equipa da 4.ª Divisão que está a jogar no terreno do Real Madrid e que está a queimar tempo’; são sintomas de uma cultura que normaliza o desrespeito, que promove o escárnio e que tenta desumanizar quem representa o FC Porto. Tudo isto dito com uma leviandade que não é inocente, nem é acidental. É parte de um padrão: um padrão que procura criar um ambiente disruptivo, condicionar perceções, fabricar suspeitas e reduzir o FC Porto à caricatura que lhes parece conveniente», atira Villas-Boas, apontando para casos recentes ligados aos rivais Sporting e Benfica.
«E o contraste com a realidade é, no mínimo, revelador. Nos dias seguintes a estas patéticas intervenções, vieram a público episódios que deveriam mobilizar a consciência coletiva da sociedade e do futebol português e que, ainda assim, receberam um tratamento muitas vezes tímido, seletivo ou convenientemente ignorado. Ora vejamos: um clube negou a entrada a um jornalista para cobertura de um jogo no seu pavilhão, violando uma série de princípios básicos de liberdade de imprensa e acesso à informação; um capitão de um clube pontapeou um adversário na cabeça, num ato de selvajaria, com as imagens desse lance a desaparecerem de forma enigmática; um treinador de um clube lançou uma garrafa de água contra adeptos do FC Porto, depois de um jogador desse mesmo clube a ter lançado para o terreno de jogo a contestar uma decisão arbitral e obrigando à interrupção do mesmo; dois jogadores do FC Porto foram alvo de um ataque racista num pavilhão de um clube; um dos maiores grupos de media do país viu dois dos seus jornalistas serem alvo de ataques intimidatórios e persecutórios e vítimas de agressão psicológica por parte de adeptos de um clube que cortou relações com esse grupo; 123 adeptos de dois clubes foram detidos após confrontos entre si, causando pânico a pessoas e crianças num episódio de agitação social no centro de Lisboa, desconhecendo-se qualquer reação por parte dos dirigentes desses clubes ao sucedido, sete meses após sete adeptos de um clube serem acusados pelo Ministério Público de tentativa de homicídio a adeptos do FC Porto; e, por fim, a forma como um caso internacional envolvendo insultos racistas acabou por expor a nu alguns ‘pensadores’ e ‘especialistas’ incapazes de distinguir o valor da vida humana da clubite aguda de que sofrem, chegando ao ponto de recomendar a mentira para evitar males maiores para o seu clube. Isto não é ‘só desporto’. É falta de cultura, ética, moral e de civismo. É o nível de hipocrisia reinante que se instala quando se domina o espaço mediático e quando se é incapaz de distinguir fanatismo de direitos humanos, ou o dever de informar do direito de acesso à informação», prossegue o presidente do FC Porto.






