
Enquanto os rivais já vão chegando às suas primeiras metas estipuladas para o mercado, o Benfica, que até viu o seu arranque ser antecipado pela conquista da Taça por parte do Torreense, faz chegar aos jornais, de forma direta ou indireta, que acelera na preparação da nova época. Mais do que algo palpável, é a tal palmadinha nas costas, acompanhada de piscar de olho de chico-esperto, que apenas aparece para manter as coisas serenas. Criar pelo menos a dúvida à contestação. Lembra sem lembrar que a preocupação e a imagem de crise e caos são coisas de jornais e jornalistas, que há um timoneiro ao leme e que vai correr bem. E se correr mal, outra vez?
Não há dúvida de que toda a situação foi gerida à-Rui Costa, ou seja, com ausência comunicacional absoluta ou completamente desenquadrada do divulgado quase em uníssono por praticamente todos os órgãos, exceto o canal do clube. Chamemos-lhe realidade. Nomes têm sido muitos, talvez até mais do que o normal. Concretizações zero. Sem treinador, com uma oferta com nomes indisponíveis e poucas opções — ao contrário do que acontecia nos tempos de jogador, não esperem do presidente qualquer rasgo de génio —, também o melhor é que não se concretizem mesmo. A não ser que sejam nomes inequívocos, que joguem em qualquer sistema e façam sua qualquer ideia, todavia para esses não parece que haja assim tanto dinheiro.
Os líderes, os verdadeiros, não os empossados, mas aqueles que têm realmente vocação — e, sim, são raros os que viram presidentes de clubes ou políticos — conseguem olhar para lá do óbvio, ler nas entrelinhas, antecipar problemas e soluções, avistar cenários completos e não apenas o que está perto. Rui Costa teve a oportunidade de controlar a narrativa e o próprio destino. Para isso, precisava de ter a certeza da sua decisão. De ser capaz de encerrar ciclos. Não ao corresponder à abertura de José Mourinho em ficar no pré-Real Madrid, mas precisamente no abrir mão de um técnico que teima em ficar bem abaixo das expectativas que gera, desde que, precisamente, deixou a capital espanhola. A partir do momento em que não tomou o próprio destino entre mãos permitiu o colar de dois futuros, o da Luz e o outro, do Bernabéu, e do qual o emblema português nunca sairá a ganhar. Já está inclusive a perder, bloqueado no tempo, sem poder realmente avançar para a próxima temporada.
Afinal, por 15 milhões, o valor da rescisão (e eventualmente de uma contratação falhada aos dias de hoje), vale a pena abdicar de tanto?
Ridícula foi ainda a oferta posterior, quase em desespero, que só fortaleceu a imagem do Special One. Deteriorando ainda mais a do presidente, ao ponto, provavelmente, de já não se reconhecer no próprio reflexo.






