
Anovela em torno de João Palhinha está longe do fim. Na Alemanha, cresce a convicção de que o Bayern Munique falhou em toda a gestão do médio português. O caso do internacional português foi analisado, esta quinta-feira, no podcast ‘Bayern Insider’, do BILD, e os jornalistas Christian Falk e Heiko Niedderer fizeram algumas revelações
“Olhando apenas para os números, é um fracasso. Chegou ao Bayern por 50 milhões de euros, agora está avaliado em apenas 15 milhões e o clube não consegue colocá-lo no mercado. O Tottenham não quis pagar os 30 milhões previstos na cláusula, porque considerou que ele não valia esse montante”, começou por dizer Falk.
Niedderer não concorda com o termo “fracasso”, mas não deixa de admitir que o timing da transferência de Palhinha para Munique, no verão de 2024, acabou por ter impacto direto na falta de sucesso do jogador português.
“Não considero que ele tenha feito propriamente algo de errado. Foi, acima de tudo, uma má contratação para o Bayern, porque o clube contratou-o na altura errada”, destacou o jornalista alemão, recordando que Palhinha foi um pedido expresso de Thomas Tuchel, mas só chegou a Munique um ano depois, já com Kompany aos comandos.
“Tuchel queria precisamente um médio defensivo puro, daqueles que travam os contra-ataques e ganham duelos. Esse é o perfil do Palhinha, e ele faz isso muito bem. O negócio acabou por não se concretizar, mas isso não foi culpa dele”, frisou Niedderer, apontando para o negócio abortado, em setembro de 2023, no último dia do mercado de verão.
Christian Falk desvendou que, naquela altura, Jan-Christian Dreesen, CEO do Bayern Munique, prometeu a Palhinha que o clube iria contratá-lo na janela seguinte, no verão, assumindo um “compromisso”. Para Niedderer esse foi o grande erro do Bayern.
“Antes de avançarem para a contratação em 2024, o Bayern devia ter sido honesto e dizer ao João: ‘Prometemos-te isto, mas com o novo treinador a operação deixou de fazer sentido.’ Teria sido a melhor solução para todas as partes. O grande erro foi não pensar em que estilo de jogo encaixava Palhinha”, argumentou.
“O futebol de Tuchel assentava em menos posse de bola e mais em transições, um contexto em que ele seria muito útil. Já com Kompany não faz sentido, porque Palhinha não é um virtuoso com bola nem um médio de último passe. É um jogador de grande capacidade física e espírito de combate. Foi isso que demonstrou no Tottenham, sobretudo na segunda metade da época, quando se tornou uma peça muito importante. Lutava por cada bola, recuperava posse e iniciava ataques. Numa equipa inglesa encaixa perfeitamente. No Bayern, simplesmente, não resultou”, acrescentou Niedderer.





